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O que são proteínas?

O "colar de pérolas" do corpo...

As proteínas são biomoléculas extremamente interessantes. A sua importância encontra-se bem patente na raiz etimológica da palavra, oriunda do grego proteos significando “primário” ou “de primeira ordem” [10]. A sua distribuição no organismo é de ≈40 % no músculo esquelético e ≈25 % nos órgãos, estando o restante distribuído entre a pele e o sangue [10]. São inúmeras as funções destas moléculas, sendo, no entanto, mais importantes do ponto de vista estrutural e funcional. As proteínas podem ser enzimas (catalisadores químicos), canais membranares, proteínas de transporte, hormonas, colagénio e até representar uma pequena parte da membrana celular (glicoproteínas), entre outras funções fundamentais [11, 12].

São também proteínas que constituem os filamentos contráteis miosina e actina, sendo estas uma parte maioritária da unidade contráctil do músculo, o sarcómero [1, 13].

As proteínas variam de pequenos péptidos a cadeias de monómeros (aminoácidos) extremamente complexas podendo chegar a centenas de milhares de unidades de massa (Da) [11]. Os aminoácidos que constituem as proteínas são todos codificados pelo nosso código genético. Assim, consideram-se 20 aminoácidos como proteogénicos (formam proteínas), podendo considerar-se eventualmente 21, já que a selenocisteína possui também codão específico (é sintetizada a partir do codão stop UGA) [11].

Destes 20 (ou 21) aminoácidos - 9 são essenciais - o que significa que o corpo não consegue sintetizá-los e tem de obrigatoriamente os obter a partir da dieta (triptofano, valina, treonina, isoleucina, lisina, leucina, fenilalanina, metionina, histidina), os restantes são não essenciais ou condicionalmente essenciais [11].

De forma simples, usando a analogia de um “colar de pérolas”, as proteínas são “colares de pérolas” onde cada aminoácido corresponderá a uma pérola. A ligação entre cada pérola (aminoácido) designa-se por ligação peptídica (quimicamente ligação amida). A forma como estas “pérolas” interagem entre si, irá alterar a forma do colar no contexto tridimensional – estas interações são comumente designadas por estrutura secundária, terciária etc.

 

Porque é importante manter a massa muscular?

A importância da massa muscular no desempenho desportivo [14], sobretudo quando associada à redução da massa gorda é amplamente conhecida [15]. Observam-se vantagens não apenas do ponto de vista estético, mas também ao nível da redução do custo energético, termorregulação e maior rácio massa/potência [16]. Mesmo fora do âmbito desportivo observam-se vantagens, nomeadamente no que concerne à obesidade, doença cardiovascular, insulinorresistência, diabetes e osteoporose [17]. Nas populações idosas é absolutamente fundamental a manutenção da massa muscular, pela sua relação com a mobilidade, qualidade de vida e prevenção de diversas doenças crónicas [18]. O músculo representa um dos nossos mais importantes ativos metabólicos e como tal, em condições normais, deverá ser preservado ao máximo.

 

Sobre o autor:

Filipe Teixeira é Nutricionista (CP nº3277N da Ordem dos Nutricionistas) e Doutor (com Distinção e Louvor) em Motricidade Humana - Fisiologia do Exercício pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, tendo efetuado o seu Doutoramento no Laboratório de Fisiologia e Bioquímica do Exercício da mesma faculdade. É também Diretor de Inovação da Bettery S.A. e responsável pelo Bettery Life Lab. É atualmente Professor Regente de Bioquímica Geral e Bioquímica Metabólica na Licenciatura em Ciências da Nutrição, tendo já lecionado as Unidade Curriculares de Dietoterapia, Nutrição e Desporto e Alimentação e Nutrição Humana. Possui diversas publicações em revistas científicas internacionais de renome, entre as quais se destacam a Clinical Nutrition (revista oficial da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism), Medicine & Science in Sports & Exercise (revista oficial do American College of Sports Medicine), Biology, Journal of Sport Sciences, European Journal of Sport Science (revista oficial do European College of Sport Science), Progress in Cardiovascular Diseases, Journal of Ethnopharmacology  e Pharmacological Research.

 

Bibliografia
  1. Schoenfeld, B.J., The mechanisms of muscle hypertrophy and their application to resistance training. J Strength Cond Res, 2010. 24(10): p. 2857-72.
  2. Paul, A.C. and N. Rosenthal, Different modes of hypertrophy in skeletal muscle fibers. J Cell Biol, 2002. 156(4): p. 751-60.
  3. Tesch, P.A. and L. Larsson, Muscle hypertrophy in bodybuilders. Eur J Appl Physiol Occup Physiol, 1982. 49(3): p. 301-6.
  4. Toigo, M. and U. Boutellier, New fundamental resistance exercise determinants of molecular and cellular muscle adaptations. Eur J Appl Physiol, 2006. 97(6): p. 643-63.
  5. Blazevich, A.J., et al., Training-specific muscle architecture adaptation after 5-wk training in athletes. Med Sci Sports Exerc, 2003. 35(12): p. 2013-22.
  6. Seynnes, O.R., M. de Boer, and M.V. Narici, Early skeletal muscle hypertrophy and architectural changes in response to high-intensity resistance training. J Appl Physiol (1985), 2007. 102(1): p. 368-73.
  7. Alegre, L.M., et al., Effects of dynamic resistance training on fascicle lengthand isometric strength. Journal of Sports Sciences, 2006. 24(5): p. 501-508.
  8. Zillikens, M.C., et al., Large meta-analysis of genome-wide association studies identifies five loci for lean body mass. Nature Communications, 2017. 8(1): p. 80.
  9. Smith, G.I. and B. Mittendorfer, Sexual dimorphism in skeletal muscle protein turnover. J Appl Physiol (1985), 2016. 120(6): p. 674-82.
  10. Gropper, S., Smith, J., Groff, J., Advanced Nutrition and Human Metabolism. 5th ed. 2009, Wadsworth: Cengage Learning.
  11. Voet, D., Voet, J.G., Pratt, C.W., , Fundamentals of Biochemistry 4th ed. 2013, New Jersey: John Wiley & Sons.
  12. Campbell, M., Farrel, S.O. , Biochemistry. 2009, Belmont: Thomson Brooks/Cole.
  13. Katch, V., McCardle W., Katch, F., Essentials of Exercise Physiology. 4th ed. 2011, Philadelphia: Wolters Kluwer.
  14. Roelofs, E.J., et al., Muscle size, quality, and body composition: characteristics of division I cross-country runners. Journal of strength and conditioning research, 2015. 29(2): p. 290-296.
  15. Slater, G.J., et al., Physique traits of lightweight rowers and their relationship to competitive success. British Journal of Sports Medicine, 2005. 39(10): p. 736.
  16. Murphy, C.H., A.J. Hector, and S.M. Phillips, Considerations for protein intake in managing weight loss in athletes. Eur J Sport Sci, 2015. 15(1): p. 21-8.
  17. Wolfe, R.R., The underappreciated role of muscle in health and disease. Am J Clin Nutr, 2006. 84(3): p. 475-82.
  18. Larsson, L., et al., Sarcopenia: Aging-Related Loss of Muscle Mass and Function. Physiol Rev, 2019. 99(1): p. 427-511.